Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Desenlace


Me vejo seminu sentindo uma brisa 

Leve e o tapete acarinha meus pés.

Tenho vergonha e penso

Apenas eu vou me desnudar?

Parece injusto, mas aquiesço.


No momento que a primeira 

corda encontra a minha pele

Movimentos se reduzem.

Eu ainda não faço ideia de para onde 

ela vai correr

E como vai me abraçar 

Feito jararaca.


Sinto o calor do seu corpo e o 

Olhar concentrado

Fazendo artes na sua cabeça

E deixando as mãos traduzirem

No idioma das cordas.


Olho tudo acuado,

Ao mesmo tempo em que 

Sinto meus músculos 

Destensionarem

Calo e confio.


As cordas dançam mais

Fazendo piruetas e correndo

Elas tocam meu corpo,

Cada vez mais enroladas,

Mais íntimas,

Pedindo licença do seu jeito 

Silente. Estudando os ângulos

Contrapondo as forças

Desafiando a gravidade.


Vou movendo o que ainda posso,

No ritmo hipnótico da música.

Me perco em admirações 

dos pequenos tufos na sua axila

Imagino os pubianos que só vi de longe


Estou suspenso no ar,

Minhas mãos doem,

Mas não sei se porque querem te tocar

Ou porque o sangue lhes falta.

Metade de mim vai jazer no chão.


Agora, tendo já suportado meu peso, as 

cordas se apertam

Libertando gemidos que me confundem

Dor e prazer

Sinto seu pé contra mim e ao

Meu favor.


Ao final, a música fica distante

As cordas vão se acumulando,

Flácidas em meu corpo flácido

Um abraço sela nossa troca

Queria que ele durasse mais.


Ainda sinto as amarras

Ainda sinto o toque

Ainda sinto um tesão

Podia ter tesão?

Que explode sem que você veja

Naquela mesma noite.


Algo ficou amarrado e suspenso

Na minha mente. Parece que é 

uma pergunta:

Quando será

A próxima vez?


sábado, 9 de dezembro de 2017

Medo da chuva

Doze minutos
A esperança e o sonho
Literalmente por
água abaixo.

Tudo parado
Não é a sinaleira
Nem toda a precaução
desse mundo

dão conta de acertar
os ponteiros da vida.
Diz aqui no edital
atrasado

leva pau. E a conster-
nação se torna real
A torcida vira logo
piedade.

Quando chover agora
Espero estar precavido
Porque azar demais
tanto bate

que fura.

domingo, 11 de outubro de 2015

Acidentes

Ontem eu fui dormir, pensando no que
Passamos.
Uma luz tremelicava, na verdade, luzes
artificiais
Que passavam sobre a minha cabeça como flashes
enquanto
Empurram a maca. Ouvindo sirenes, e o som das suas
Lágrimas.
Chorava junto, ainda que por dentro, amortecido pela
Anestesia.

Hoje eu acordei, refletindo sobre a sua
Fragilidade
Que se amalgama com a minha e cria um corpo
Deformado
De um bicho sem espécie definida que nos
Definha.
Mas ele canta num grito alto, agudo, primitivo
Incontornável.
Um monstro verde, fogo-fátuo, cujo beijo me custou
A língua.

Amanhã eu vou acordar, com um gosto ruim
Na boca.
Das palavras que eu disse e não deveria ter
Dito.
Das desculpas aceitas pro forma, do suportável
Que não
Era nada disso. Do gosto da saudade daquilo que
Tínhamos.
Vou sentir o pó dos escombros, de um muro erigido tijolo
a tijolo.
A dor nas narinas, dificuldade de respirar, tudo culpa da
Wrecking ball.
E vou rezar pra vermos com mais clareza quando a poeira

Baixar.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Erupção



No veio onde passou a lava,
Já nasce um musguinho
Já rastejam os primeiros vermes,
Um passarinho vem bicar.
Se anuncia a primavera.

A rocha incandescente,
Poeira levantando,
A natureza guinchando
Levando calor no lombo e
A terra se amoldando.

No ajuste, mistura esqueleto,
Com galho e tronco
A terra vai se solidificando
E chia se cai na água, que se espalha
Toda vaporenta.

Por acaso aquilo é uma flor?
Ela ficou ali, ereta, chamuscadinha
No meio do inferno.
Ela sorri pra mim.
Ela tem dono, mas eu pego


e coloco no cabelo.

terça-feira, 3 de março de 2015

A enxurrada - versão 1.5

Blame, no one is to blame
As natural as the rain that falls
Here comes the flood again


Alguns trovões à distância.
O céu se enegrece pouco a pouco.
Os sons se intensificam,
medo em forma de nuvens.
Mas elas dançam a quilômetros daqui.

Ouve e vê gordas gotas
Que pingam por todos os lados.
Refestelando-se na poeira,
na sujeirice do solo.

O vento sopra em rajada,
Enregela sua espinha.
Novas gotas lambem sua face ferida

Ele entende que a tempestade é linda,
Que o medo é chuva,
Que dor é relâmpago.

Lar doce lar,
A água começa a subir,
correr para todos os lados.

Não tem piscinão.
Não fizeram plano de drenagem.


Não é culpa de ninguém. É só a vida.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Lucy in the sky with diamonds – new version

the original can be found here

The girl tries to clean up the drops of puke 
with her old handkerchief.
Then she unfolds it and sits.
What a silly girl!

She seems tired, she is so quiet.
She could not remember when
the last storm had broken 
In her sweet marmalade world.

She embraces sadness.
What an enigma! Nothing there.
So she puts on her smile.
Her face twists into a fishhook.

It is not like any smile
we would see on TV.
She puts on that devious smile.
And she looks up.

The sky is pale blue.
She tries to make it bluer,
Brighter, as she is.
But she can't.

The sky remains dim and indifferent.
Some people wave from a distance
and she is unsure whether
they are true or just a mirage.

Numb, she cannot feel anything.
The sky, the waves, herself.
A spurt of happiness spouts
in her frigid heart.

Like two bodies occupying the same spot,
Separate, the energies do not mingle.

She sees the boy approaching and cringes.
What a foolish girl!
He puts his hands between her thighs and twinkles.
But she averts her glance and looks down.

She thinks about suicide
In a green meadow, full of sunlight.
And that she has never been given
a diamond yet.

It's no fun at all, she knows she can't.
The boy starts fleeing.
The girl closes her eyes and imagines
what it would have been like if

she had not existed at all.

Now, she wishes she could blink 
in and out of existence.
What a preposterous girl!
Then, she decides to travel.

But she doesn't know if she is going to Estonia or not.
She feels Venus is no longer in Scorpio
Maybe Saturn is taking over.
What a lack of perspective, girl!

She goes to the verge of the lake
Crying, the tears ooze on her cheek toward her chin
and they blur the reflection of her own image
and that of the sky.

More tears and they are her present
to the sky under her. Her diamonds.
She wants to tell the world, but she keeps
Mute as if in a vow. That's her new voice.

She has started packing now.
Be sure you kiss her goodbye, I don't think she is ever coming back.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Natureza

Degusta-me como um gomo de jaca.
Sente o cheiro forte e as fibras grudando
nos dentes. Sente o caroço liso e robusto.
Despe-o e cospe. Masca infinitamente.
Eu sou seu pé na jaca.

Também sua minhoca.
Minhas curvas são anéis, cada um
contendo em si, meus medos, minhas
indecisões. Minhas grandes esperanças.
Suas projeções. Eu engulo suas merdas

e delas faço adubo. Serpenteio e me
contorço, na palma da sua mão, antecipando
o perfurar do anzol. Sou igualmente
sua lagartixa, quando danço. Uma hora eu corro

e só fica o rabo. Pra contar a história.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

When I fell in love with Marge Piercy

I remember very well
my life without you. It wasn't
that long ago.

Then you were part of
a course that changed the
course of my (then) coarse life.

And from a woman on the edge
of my life, one page at a time,
small changes. You were center. Light and wisdom:

You were my Luciente. And I got
angry. Blood in my eyes as I closed
the book and all else opened up.

(or so I thought. Had I known
there was so much yet to experience
if only I knew how much I didn't know)

(then and now)

And so I fell for you, incredibly going
higher instead of going down fast.
I was wrapped by a new type of hard loving.

How could I be sure, however,
of the ways you were showing me
what big girls are made of?

I was not a girl (though some would argue) and I am not
one still, but we have so much in common.
How do you explain a man with the longings of women?

Suddenly, you relinquised your (so we wish) heavenly,
abstract, virtual, untouchable position
of the writer, the name on the page, and allowed me to real-ize you.

I broke into your life. My soul has
reached to yours and touched it and I saw a cloud of butterflies
flying away home.

What a bluff. Even yet not ripe, quite unprepared
I wanted to go and see and smell and listen and talk.
I asked clumpsily. You answered gracefully.

You taught me about the wind, the oysters, the
Cape, you shared warmly, you made me certain why.
You showed me yourself - manual gear and cranberry juice.

I danced (not the eagle to sleept) in your living room.
I was in awe, exposed, you laughed out loud.
Ira came and I understood why again.

So I left, without any pictures of us
at that historic moment. (for me, at least, I have
them in my mind).

I felt happy and dumb at once for forgetting
and in doing so I felt I had just paid
the high cost of living (you live, you learn).

Antecipating, I looked ahead and the penny
dropped. No angel came to talk to me but I saw
my mission unfolding.

You helped me lay some brand
new cobblestones on the way I decided to
tread. In a way, a tap on the back and the go ahead.

I started (again and too late) sleeping with cats.
They made me warm and I cried when the Oboe went silent.
I remembered Efi and Xena, and all the cats I left in Brazil.

The details, however, have different colors now
The words I read sound more like your voice
And the future smells, sounds and looks

a bit more like hope.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sessão Nostalgia: Grito

Eles sofrem.
Quem não sofreria?
Eles sentem, eles são gente.
E têm fome, sede e medo.
Eles gritam
Mas ninguém os ouve.

Eles querem respeito.
Eles já não têm esperanças
Tentam fazer tudo direito
Já não são mais crianças.
Mais um grito.
mais forte e agudo,
e ainda ninguém os ouve.

Ficam jogados pelas ruas
Pelos caminhos da loucura e perdição.
Não têm função, nem profissão, nem coração.
Eles são animais. Às vezes, lobos, outras
gado, mas quase sempre burros.

São urros? Não.
São gritos, novos gritos
Ninguém parece ouvir.

Todas as mãos se fecham para eles,
Todos os olhos se viram quando os veem passar,
Todas as bocas se calam
Todos os ouvidos se tapam ao ouvi-los gritar.
E eles gritam, gritam, gritam.

Mas quem são eles?
Eles somos nós e nós somos eles.
Duas faces da mesma moeda.
Moeda?
gritavam isso, pediam uma moeda
Clamavam por casa, saúde e amor.
Mas a voz calou,
A cortina abaixou.
Senhoras e senhores, vamos para casa, o povo morreu,..

Esperem! Ouçam com atenção...
O povo ainda não morreu.

(2001)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sessão Nostalgia: Poema aos meus pais

PEDI a Deus um presente
Ele foi benevolente.
Deu-me dois
E me disse depois:
"Eles vão por você olhar
E incondicionalmente te amar.
Vão te fazer rir, e às vezes, chorar"
Senti primeiro o cheiro, então o calor.
E acima de tudo senti o vosso amor.

Comecei a crescer e eram vocês
Que me mostravam o caminho certo.
Que me levantavam toda vez.
Meu heroi, minha dama, dois puros corações
Minhas mais belas aspirações
De que o futuro fosse
tão doce, tão cheio de emoções
Como vocês o são.
Agradeço aos céus então
não queria nada mais.
É impossível dizer em palavras,
Que vocês são os melhores pais.
Se já em algum momento
Feri-lhes, perdoai-me
Nada pode jamais ter sido mais forte que esse sentimento.
Se não lhes disse 'te amo'
Tanto quanto queriam ouvir,
Digo novamente
E filho não mente
Amo a cada um profundamente.

(2002)

Sessão Nostalgia: Uma hora

9:51
O relógio é meu carrasco.
9:54
Ninguém me diz como vencer.
9:58
Perco meu rumo em pensamentos.
10:01
Lá se vão meus preciosos momentos.
10:02
Toda vida corre de mim e não me permite alcançar.
10:10
Repito o que faço e o relógio continua a piscar.
10:25
Uma carta, um desabafo, uma morta necessidade.
10:32
Ninguém perambula pela minha cidade.
10:39
A fome me come alguns minutos.
10:43
Aos meus pensamentos, já não os escuto.
10:51
Uma hora se passou
Desde que o poema começou
Alguns nasceram,
Alguns morreram.
E eu aqui não muito fiz.
Mas, pelo menos, em uma hora da vida
Tentei por tudo ser feliz.

(dez. 2000)

Sessão Nostalgia: EU

EU sinto um calafrio
Não é nada, eu penso.
Somente um vento frio.
Minhas mãos suam.
É calor? É amor?
Acho que estou doente
E a cura já distante.
Como poderia me apaixonar em apenas um instante?
Luto, minha vida inteira,
pra não ser pego de surpresa.
Mas é da minha natureza
Me perder.
O vazio dentro de mim
Quer ser preenchido,
Mas toda vez é assim,
sou ferido.
Não são eles que me ferem
Sou eu mesmo, então.
De todos os males do mundo, o mais imundo,
é aquele que está dentro do meu coração.
E tento fugir,
Eu corro.
Quase morro, e quando paro,
e olho pra trás,
Não há dor.
Paro, respiro fundo
e num segundo,
percebo que ela não está atrás de mim.
Ela está dentro de mim
Rindo-se do desespero, das traições.
De todas as minhas fantasias e paixões.

(dez. 2000)

Sessão Nostalgia: Talvez

Talvez você não soubesse
Onde teria de andar,
O que teria de fazer,
mas isso sempre acontece.

Uma vez que se viu só
Agarrou-se a vida
Nem de si mesma teve dó.

A vida foi passando
E você, lutando.
Até agora, até amanhã
E o amanhã do amanhã.

Te olho com orgulho
por ter te conhecido
Tem gente que tem orgulho de ti ter nascido
Mas você é uma
plausível de errar,
por isso, nenhum risco há em te perdoar.

(mar, 2000)

domingo, 22 de julho de 2012

Sessão nostalgia: Pocket poems made in Prague

Don't let
Elton forget how
Kindly welcomed and
Utterly taken care of
Jiri made him feel
In the days he was in Prague.

Desde o momento que cheguei
Estive em boas mãos.
Kilos de boas experiências,
Uma semana inesquecível.
Já posso dizer que você (Jiri) é uma pessoa
Incrível. Parabéns.

Dekuji = Thank you (in Czech)

Sessão Nostalgia: Às vezes...

Às vezes, é tão difícil
mas devo admitir,
que ficar e enfrentar
é bem melhor do que fugir.

Apesar de complicado,
eu consigo me entender.
Não é tão difícil assim
a tarefa de crescer.

Quando o vento varre as folhas
e me afaga a face
é como se um vazio
na minha alma ficasse.

Eu sei que lá no fundo
a felicidade existe.
Por isso, é idiotice
que eu continue triste.

(1999)

Sessão Nostalgia: O que é a felicidade?

O amor não vem de fora
Ele é um estranho
Com o qual não sei lidar.
Será que um dia vou saber amar?
Ou será que serei sozinho sempre
Como uma única lágrima
Que não sabe o que é chorar?

O seu corpo, o seu rosto.
Tudo em você me atrai.
Sua voz, seu cheiro e tudo mais.
Eu achei que nós teríamos um
Romance. Mesmo de verão.
Mas nem te digo o quanto sofri,
na primeira desilusão.

Existe em quem confiar?
Você mesmo falou.
Mas tinha que ser assim, bem comigo, meu amor?
Foi assim que você me deixou.

(1995)

Sessão nostalgia: Só um minuto

Talvez, uma vez na minha vida.
Vida de luta e labuta,
Vida de sonhos e ideais.
Nada mais.
Uma vida cheia de esperança,
desde criança,
Até o por do sol da vida.
A felicidade!
A tão sonhada felicidade,
Que mora dentro de nós,
Não em outro lugar,
Viria à tona
Como a erupção de um vulcão.
Enchendo meu coração,
do puro amor.
O completo e total amor.
Assim, eu saberia
Que um dia fui legal
E morreria feliz
Porque por um minuto
Um minuto e nada mais
Eu fui alguém especial.

(1997)

Sessão Nostalgia: explicação

Achei meu caderno com poemas que fiz há tempos atrás. Como estou de mudança, resolvi passar todos os poemas para o meu blog e depois me desfazer da versão escrita. Preciso de espaço e o caderninho será material reciclado. A maior parte deles é cru, é visceral talvez. Mas visceral no sentido de quase sentir nojo. Porém, eles fazem parte de mim, eles me fizeram chegar até onde estou hoje. Mais. Eles eram poemas feitos quando eu ainda não entendia direito o que era a poesia ou quando eu achava que não gostava de poesia. Talvez eu ainda não goste. Mas não consigo viver sem ela.

Sessão nostalgia: Eu concretamente

Fútil, leviano, superficial
E vulgar!
E fugar e levisuper e ficialano.
Futilano futificial futivulgar.
Futigar
vulfu, levicial.
Útil leve ano, super ar.

(nov. 2003)

domingo, 15 de abril de 2012

Shakespeare manda lembranças


Doce Yago, de olhos pequenos
Vindo das baixas patentes, querendo mais, mostrando os dentes.
Faz de mim, seu mouro, a sua vendeta.
Escarnece de mim, e me abre os olhos, ao mesmo tempo que me ama.

Um lencinho, sujo de sangue. Queres mais?
Não seria o lencinho de Desdêmona?
Abre-se como um leque, isto e aquilo.
Nem é preciso olhar com muito cuidado.
Está tudo ali, pronto pra ser visto, confirmado
pelas testemunhas invisíveis, pelos fantasmas
que rondam.

Se enche de ódio, mouro, sua Desdêmona amada te desdenha.
Faz a suspeita pingar em gotas, vermelhas, pútridas.
Ela leva flores para o vaso, flores que não são as tuas.
Mas ela leva para o vaso de Emilia, e diz que as flores a pertecem.
Doce beijo de Desdemônia.

Sente o ar te faltar, infiel?
Sente meus dedos enganados, apertando a sua carne tenra?
Dê seu último suspiro e se despeça como a quem os anjos vêm buscar.

***
Acorda Otelo suando. Foi tudo só um sonho. Só um sonho ruim.
Dorme tranquila, querida Desdêmona. Não foi hoje. Não hoje.