terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Poetry night 2

Now two more poems that were present in the night of the party.

one was
SONETO DA FIDELIDADE

Vinícius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Antologia Poética)

a version in English here

R. brought this one because he wanted to express his desire to have a true love, for the laughters and the tears, an honest relationship based on attention and fidelity.

A. was less romantic and more existential. He brought us a poem by Emily Dickinson which makes us think about who we are and how this is affected (or not) by the people around us.

Can you answer the poem's question?

I'm nobody! Who are you?
Are you nobody, too?
Then there's a pair of us — don't tell!
They'd banish us, you know.

How dreary to be somebody!
How public, like a frog
To tell your name the livelong day
To an admiring bog!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Poetry night 1

Well, look at the game you can do with your friends: call them to your house, BYOB or BYOF, and have them bring as well a poem. Yes! You can only enter provided you have a poem. Better if it is your own, but if it is not, it has to be one which really moves you. Easy? Then you fold it and put them all in a bowl or urn (more poetic)and when the party is going fine, make a circle and raffle poems. everybody gets one and read silently. After that, one establishes a sequence and people read. As the reading finishes, the group is supposed to guess who brought the poem and why. And after the author or fan is discovered, he or she can explain the reason for that specific piece.

From today on, I will post the poems (most of them in Portuguese) and explain why people chose to take them. Hope you like them. (the posts are in English since some friends who do not know Portuguese wanted to understand a little bit of what is going on in the blog!)

M. took this one by Fernando Pessoa.

Escrever é esquecer.
A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.
A música embala, as artes visuais animam,
as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm.
A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono;
as segundas, contudo, não se afastam da vida -
umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida.
Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa.
Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

To write is to forget.
Literature is the pleasantest way of ignoring life.



According to M. he brought this one because he wanted to illustrate the theme of the night, poetry, arts and the way we were making it be part of our lives.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

The son of Janus has given me up...


He is dark, I know
But weren’t my remarks darker than that?
Maybe he is just searching for another vice
Maybe life has done him good, or bad
Maybe life has undone the him I knew
And he is reborn into a new skin and wit
Maybe he could not grasp my pussy
Maybe I was just too much for him to handle
(Or too little)
Maybe a fuck you has turned into a chilly silence
Maybe he loved me more than he thought he could
(or despised me more than he ever imagined)
In the meantime, the scrap is there
The dispossessed remains out of my possession
I sit here, wondering what I missed
The promised unseen
The unnecessary confirmation and delight
I wonder if he is eating properly
And make plans for the (damn you, Utopia) Second coming…

A missão

De repente, ficou quente e eu vi um clarão. Antes que pudesse me dar conta do que estava acontencendo, chega aos meus ouvidos

“Hey Sunshine!”

Tento em vão levantar os olhos e invade-me, mesmo por minhas pálpebras cerradas um clarão que me faz doer o cerebelo.

“Toma, kid”, diz com sua voz doce e imperativa um ser cuja fisicalidade não me era licito ainda explorar.

Tateio o vazio, sentindo falar mais forte os sons ao meu redor e o toque da relva onde eu então me deitara, num modorrento e mormacento dia, ao lado de um regato, numa atitude pastoral, mas pastoreando nada além de pensamentos que pastavam na minha mente.

Sinto com as pontas dos dedos uma estrutura plástico-metálica. Os dedos se fecham, e uma imagem se constrói no olho da minha mente. Óculos. De que servem óculos ao cego? Por que tanta luz?

Receando ser aquilo tudo uma piada de mal gosto, hesito, resisto, mas cedo ao impulso de vestir aqueles óculos ainda ouvindo ecos do “toma”, meio que impelido por esse ser que era só voz e luz.

Sinto um alívio.

Tentativamente vou abrindo os olhos, devagarzinho, sentindo a pupila contrair e dilatar, tão incerta quanto o meu todo. Quem teria vindo atrapalhar o sonho de um Caiero qualquer aos pés do regato?

“Você...”

“Sou um anjo. Dos piores tipos que você já conheceu. Eu jogo pros dois lados.”

E a imagem que foi se formando, me confundindo, era esse um íncubo? Rosto com uma tez deslumbrante. Daqueles que engana o tempo, ou simplesmente o ignora até o último momento. Pêssego eterno, veludo rosa, liso como pétala de rosa fresca. Vejo um sorriso. Mas, eita!, é o sorriso mais triste que você pode imaginar.

“Por que você brilha tanto?” perguntou ela para mim.

Foi então que percebi que ela também usava óculos. Escuros como a noite, ainda assim, uma falhada tentativa de eclipsar a luz mais brilhante que emanava de todos os lados.

“Não sou eu que estou a brilhar, é você! Nada brilhava até você chegar.”

“Perdão, mas tenho que dizer que como anjo eu digo apenas a verdade. A luz vem de você não de mim. Eu tenho uma missão, uma mensagem para você.”

Estava assustado. Aquilo não fazia o menor sentido. Como poderia eu brilhar e não sentir? Como poderia brilhar tanto que não me era possível resistir ao brilho? Eu sentia que a luz irradiava dela. Afinal, era ela o anjo. Teria eu morrido?

“Não, você esta vivo. E a cada dia ficará mais vivo, sua criatividade vai aumentar, sua tolerância, sua sabedoria”

“Você leu meus pensamentos?”

“Você pensa alto. Não é só de palavras que a comunicação entre os puros de coração e não tão puros do resto falam”

“Qual é sua mensagem?”

“Eu devo lhe dizer... eu... um dos lados pediu que... você foi escolhido, não! Eu fui escolhida para...”

Sentia a dúvida no coração do anjo e tentava tatear-lhe os pensamentos. Seria aquela uma via de mão dupla? A ansiedade crescia, e a luz ficava intermitente. Sentia que havia ali um esforço, uma guerra sendo travada. Sentia a presença de demônios e anjos assistindo a tudo, torcendo...

“É, sunshine, eu não me lembro.”

“Da sua mensagem?”

“É, da minha mensagem. Posso ficar por aqui e de repente o vento me conta, ou a chuva, ou alguém fofinho, qual era minha grande missão para você?”

“Pode. Fique a vontade. O mundo é grande e eu estou por aí. Você gosta de omeletes?”

“Sim. Mas eu quebro os ovos, ok?”

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Psiu...! É, você mesmo...

Olá! Eu sou um personagem. Sabe, também me chamam de narrador. Eu não me importo já que como sou eu mesmo que conto essa história, eles estão certos. Não vou perder tempo me descrevendo. Assim, pode me imaginar do jeito que lhe for mais conveniente: coloque um nariz mais afilado, mais adunco, um que lhe lembre seu pai, ou um estranho visto ontem no ponto de ônibus. Só me incomoda que vocês leitores, e aí não digo todos, mas a grande maioria, me imaginam um pouco mais baixo do que realmente sou. Não ligo, já que não me interessa entrar nos méritos da trena e do metro, e me resigno a olhar o mundo, este meu mundo, devo dizer, alguns centímetros mais longe do firmamento que gostaria. Não queria começar reclamando demais. Se assim o fizer, você vai, com certeza, ficar achando que eu sou uma pessoa geniosa, uma tia velha que só sabe reclamar que vai ter insolação se está sol, ou que vai se resfriar se está chovendo. Mas realmente queria registrar mais um dos meus desconfortos para que você não ache minha posição tão invejável. Alguns leitores, ao imaginar como eu seria, confiam inteiramente no que digo, e não percebem que eu estou maquiando um pouquinho, afinal, sabendo qual é o modelo de beleza que mais agrada a maioria, vou colocar um certo charmezinho aqui e ali. Mas não sou mentiroso não. Desculpe, estava a divagar e não cheguei ao meu ponto. Alguns leitores ávidos vão direto procurado a linha do enredo, achando que eu estou ali apenas figurativamente pra dar um tom de sinceridade pra coisa toda, e nem sequer imaginam como eu seja. Sou obrigado a passar toda a história como um ser meio sem face, faltando uns pedaços e acho isso uma falta de respeito. Não acho que tenha que pensar em tudo, órgãos internos e tal, manchas de nascença, tamanho da unha, mas não guardo rancor, se você preferir não o fazer.

Hoje o mundo tá dureza pra gente da minha laia. As pessoas querem fatos cadê os fatos provem-se os fatos, e eu não sou um fato, sou um arremedo de indivíduo. Na verdade, eu diria que sou um individuo mesmo, mas daí você leitor mais espertinho ia querer entrar num debate metafísico, dizendo quem eu penso que sou pra ficar achando que sou alguém. Assim, usei a palavra arremedo pra dar uma de vítima, e me colocar num patamar abaixo de você, que é uma pessoa aí de carne e osso, respirando e transpirando. Mas vou ser sincero de novo, porque gosto de você, existo igualzinho, tenho sentimentos e sensações, até faço cocô também, mas tenho que admitir que tudo isso acontece fora dessas linhas, afinal, não se deve mostrar tudo a todos, né? Até seres como nós, os personagens, têm que ter sua privacidade.

Mas você deve estar aí pensando qual é o meu ponto. Onde este rapaz está querendo cheg... rapaz? Quem falou pra você que eu sou um rapaz? Já foi inferindo isso porque eu disse que era um personagem em vez de uma personagem? Você sentiu um certo ar másculo e testosterônico no meu modo de colocar as coisas? Posso ser uma linda donzela, e você não tinha pensado nisso, já que me comparei com seu pai, e com uma tia velha. Podia ser uma menina de quatro anos que aprendeu a ler e escrever em segredo, mas daí você com razão pensa que o meu tipo de escolha lexical não estaria muito de acordo com a minha suposta meninice, por mais prodígio que eu fosse. Tudo bem, sem mais joguinhos, não tenho quatro anos, e você já sabe qual é meu sexo. Não sabe? Bom, talvez fosse interessante que você me imagine como dois, um homem e uma mulher. E assim, perco a minha individualidade e me multiplico.

Falando em multiplicar, queria voltar novamente a um assunto que passou e se foi, mas que vale a pena ser lembrado. Sendo eu esse ser que vive aqui nesse mundo feito de imaginação, existindo ao mesmo tempo nas mentes de muitos que passam os olhos nas páginas e nas palavras, assim como você, quando várias pessoas que te conhecem se lembram de você e assim, te dão nova vida, posso, diferente de você (será)dar algumas sugestões para que o imaginador faça mudanças aqui e ali. Por isso, não diminuo minha megalomania aos que me comparam com um deus. Claro que estes não percebem que estão longe da verdade já que sou ao mesmo tempo senhor da narrativa e escravo dela, da imaginação. Posso controlar os detalhes, mas não o que será feito dele. Muitos me escapam por vergonha de dizê-los, por incapacidade. Veja lá: de que vale eu te dizer que estou usando óculos agora, se você pode me estar lendo num momento, num espaço tempo no qual os óculos foram abolidos e as pessoas não sofrem mais das enfermidades visuais que me acometem.

Mas há a mágica de contar uma história. Já percebeu que o olho das pessoas até brilha quando elas estão ouvindo uma história? Basta cativá-las, organizar bem as palavras, uma depois da outra, deixando uma ou outra de fora, moldando e limando cada frase, pensando mesclando a torrente que sai de você com um certo esforço e sem vergonha de criar. Sendo possuído por forças imemoriais da centelha da criatividade. Quebrando o silêncio, o não saber dizer, com novos dizeres.

Mas eu não chamei sua atenção, não o despertei da letargia do cotidiano para ficar aqui levantando nenhuma bandeira, a minha bandeira. Sou apenas um personagem-narrador, que vai te contar uma história, minha história, mas não agora. Desculpem-me, sinto a cabeça rodar, um cansaço tremendo. Acho que vou me retirar. Quem sabe amanhã?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Presente 2

Achei injusto colocar apenas um dos presentes se o outro é tão lindo quanto. Deixo a critério da autora se manifestar ou permitir que mais um pedaço de mim conste aqui. Não é uma delícia de ler?


O vento, eu e você


O vento veio e me trouxe saudade,
Não sei bem de quê ou de quem
Só sei que dói, machuca, me aperta o peito
Não é um vento forte nem inesperado
Porque eu sempre soube que um dia ele viria
Sabia que ele chegaria sem avisar
Então apenas deixei ele me abraçar, me envolver,
Mas desejei que ele fosse embora, porque doía demais.
E o vento me ouviu o desejo e se foi
Mas me deixou a saudade, não podia levar com ele,
Ela era muito pesada e ele muito leve, me justificou
Sussurrou, quando bateu nas folhas pra se despedir.
Eu e a saudade ficamos, desejamos juntas e esperamos,
Que um dia o vento voltasse, desta vez mais forte,
Pra sentir o abraço maior, mais envolvente, mais apertado,
E para ele poder carregar a saudade, que a cada dia crescia,
Dizia-se mais cansada, mais inquieta, sem vontade de ficar
E, um dia, sem razão, sem motivo,
Eu senti que o vento viria.E ele veio.
Forte como nunca, derrubando árvores, esvoaçando a poeira
Girando tudo á minha volta, apressado,
Fechei os olhos e caí na escuridão, no frio
Abri os olhos e o vento tinha-se ido,
Procurei a saudade e não encontrei
Olhei á minha volta e vi você.
E eu sorri, fui feliz, mergulhei no sol
E toda vez que sopra o vento, eu sinto medo estranho
De que um dia ele venha mais furioso,
Carregue você, e comece a chover.

Presentes 1

Ganhei esse poema de presente. Ele diz muito de mim, não por mim, mas por como alguém me vê. Se o autor quiser, pode se manifestar para a manutenção ou remoção do presente, mas queria vê-lo aqui... parte de mim, no meio das minhas palavras. Espero que ele não se importe. Mas tá tão lindo...

Eles

Eles vão mentir, Elton.

Eles vão mentir quando disserem que sua existência é dispensável e gratuita. Eles vão mentir quando reduzirem seu intelecto a grunhidos pós-evolutivos.

Provavelmente estão envergonhados. Provavelmente não perceberam.

Não anteviram que você, errante, resplandeceria alguns metros quadrados no coração faminto, cinzento e fabuloso da República – in English, mas com sotaque caipira. Eis teus homens, teus saberes e sabores. Tuas peripécias.

Se eles tivessem te imaginado antes do Big Bang, trocariam olhares e fariam uma pausa antes de gargalharem estúpidos. Não acreditariam que nasceria esse deus imperfeito, essa semente promissora, indivíduo apaixonante, íntegro e com sabor de tempestade.

Não. Impossível. Os átomos jamais formariam Elton.

Por isso eles mentem. Mentem porque foram surpreendidos.

O drama cósmico de luzes e sombras encontra nesses lábios aconchego, unidade e equilíbrio; o prazer de completar, sentir e trocar. Se o Big Bang foi para isso, que explodam igualzinho da próxima vez!

Eles mentem, mas eu sei. Eu sei orbitar. O mundo pode entrar em colapso – ‘dow’ jones, ‘up’ jones – mas a luz nunca apaga para quem Elton floresce. Não posso tatear o Sol, mas posso tateá-lo, e é por sua cútis que o Astro Rei se revela.

Eles? Eles não encontraram o pote de ouro. Eu encontrei, e desde então o Universo pulsa mais eloquente, mais verdadeiro.

E mais ausente. Infelizmente.