O amor não vem de fora
Ele é um estranho
Com o qual não sei lidar.
Será que um dia vou saber amar?
Ou será que serei sozinho sempre
Como uma única lágrima
Que não sabe o que é chorar?
O seu corpo, o seu rosto.
Tudo em você me atrai.
Sua voz, seu cheiro e tudo mais.
Eu achei que nós teríamos um
Romance. Mesmo de verão.
Mas nem te digo o quanto sofri,
na primeira desilusão.
Existe em quem confiar?
Você mesmo falou.
Mas tinha que ser assim, bem comigo, meu amor?
Foi assim que você me deixou.
(1995)
domingo, 22 de julho de 2012
Alberto Silence
The boy does not like anymore.
He is barely
commenting.
He is so drained as he lifts his fingers,
claw-like
to type one letter after another.
Hit the keys as if they had to be tortured.
Not mine, says he.
And isn't he a selfish boy,
For not sharing the laughters and the disgusts and the causes and the songs and the everything?
He has feelings and he wants to break them
free.
He wants to inform and be in contact
but time is so little
patience in
such short
supply.
He is barely
commenting.
He is so drained as he lifts his fingers,
claw-like
to type one letter after another.
Hit the keys as if they had to be tortured.
Not mine, says he.
And isn't he a selfish boy,
For not sharing the laughters and the disgusts and the causes and the songs and the everything?
He has feelings and he wants to break them
free.
He wants to inform and be in contact
but time is so little
patience in
such short
supply.
Sessão nostalgia: Só um minuto
Talvez, uma vez na minha vida.
Vida de luta e labuta,
Vida de sonhos e ideais.
Nada mais.
Uma vida cheia de esperança,
desde criança,
Até o por do sol da vida.
A felicidade!
A tão sonhada felicidade,
Que mora dentro de nós,
Não em outro lugar,
Viria à tona
Como a erupção de um vulcão.
Enchendo meu coração,
do puro amor.
O completo e total amor.
Assim, eu saberia
Que um dia fui legal
E morreria feliz
Porque por um minuto
Um minuto e nada mais
Eu fui alguém especial.
(1997)
Vida de luta e labuta,
Vida de sonhos e ideais.
Nada mais.
Uma vida cheia de esperança,
desde criança,
Até o por do sol da vida.
A felicidade!
A tão sonhada felicidade,
Que mora dentro de nós,
Não em outro lugar,
Viria à tona
Como a erupção de um vulcão.
Enchendo meu coração,
do puro amor.
O completo e total amor.
Assim, eu saberia
Que um dia fui legal
E morreria feliz
Porque por um minuto
Um minuto e nada mais
Eu fui alguém especial.
(1997)
Sessão Nostalgia: explicação
Achei meu caderno com poemas que fiz há tempos atrás. Como estou de mudança, resolvi passar todos os poemas para o meu blog e depois me desfazer da versão escrita. Preciso de espaço e o caderninho será material reciclado. A maior parte deles é cru, é visceral talvez. Mas visceral no sentido de quase sentir nojo. Porém, eles fazem parte de mim, eles me fizeram chegar até onde estou hoje. Mais. Eles eram poemas feitos quando eu ainda não entendia direito o que era a poesia ou quando eu achava que não gostava de poesia. Talvez eu ainda não goste. Mas não consigo viver sem ela.
Sessão nostalgia: Eu concretamente
Fútil, leviano, superficial
E vulgar!
E fugar e levisuper e ficialano.
Futilano futificial futivulgar.
Futigar
vulfu, levicial.
Útil leve ano, super ar.
(nov. 2003)
E vulgar!
E fugar e levisuper e ficialano.
Futilano futificial futivulgar.
Futigar
vulfu, levicial.
Útil leve ano, super ar.
(nov. 2003)
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Sobre o amor
Dia desses minha irmãzinha noivou. Ela pediu pra eu escrever palavras bonitas, como costumo fazer pras ocasiões especiais da família. Acabei esquecendo, mas no dia, com o clima todo de festa, sentei e escrevi. De coração. Saiu isso, com pequenas modificações aqui. Vai meu tributo a ela que é uma flor de pessoa e um amor de irmã. Sempre foi.
Discurso do noivado da May
No universo que vivemos, como já diria Lavoisier, nada se
perde, nada se cria, tudo se transforma. E essas transformações criam energias
que fluem, voam, nos atravessam, nos formam, nos abandonam. E não o magnetismo,
nem o calor, uma das energias mais fortes que existem é definitivamente o amor.
Temos o amor próprio, que implica a auto preservação. Igualmente, há o amor
pelos outros, em todos os aspectos que ele pode ter: pela nossa família, que
sempre nos dá apoio, conforto e carinho; amor pelo próximo, pessoas a quem
podemos ajudar de alguma forma. Por fim, uma das manifestações mais
interessantes do amor, e a que nos motiva estarmos juntos no dia de hoje, é o
sentimento nobre que reúne duas almas afins.
Por um acidente do destino, por uma escolha, através de
pessoas-pontes, que nos ligam a outras e passam, somos atraídos e repelidos,
somos levados e podemos conduzir. Sorrimos e abraçamos. Dançamos de acordo com
a música, ora freneticamente frevoliando, ora quase milimetricamente pra lá e
pra cá no ritmo da valsa. Ora vagarosa, languidamente ao choro dos violões um
tango argentino. E nesse sorrir e nesse dançar, o mundo girando, surge a
paixão.
E a paixão como um rio em cheia, passa e arrasta, destrói,
reconfigura. Logo ao baixar, fecunda as margens, traz a fartura e alimenta. O
rio bravo da paixão, sentimento este que de tão forte pode romper diques e
queimar como o sol do meio-dia, enternece e se transfigura em uma nova coisa.
Vira amor. Amor de companhia, de conversas juntos, de telepatia.
Porém, não devemos ter a ilusão doce que apenas coisas boas
vão brotar com o amor. Mesmo se for um mar de rosas, certamente terá os seus
espinhos. E como um jardineiro fiel, o grande segredo jaz em vivenciar tais
espinhos, retirar as folhas velhas, amareladas, discutir, regar constantemente
e encontrar alternativas. Ceder e se impor. Balancear o yin e o yang. Conhecer
a si mesmo e ao outro. Entender seus limites e querer sempre ultrapassá-los
juntos. Acreditar sempre. Eu, por exemplo, acredito no amor que hoje todos
nutrem por esse casal. Acredito no amor que um dedica outro, que salta aos
olhos, firme e seguro. E acredito acima de tudo que serão muito felizes.
domingo, 15 de abril de 2012
Shakespeare manda lembranças
Doce Yago, de olhos pequenos
Vindo das baixas patentes, querendo mais, mostrando os dentes.
Faz de mim, seu mouro, a sua vendeta.
Escarnece de mim, e me abre os olhos, ao mesmo tempo que me ama.
Um lencinho, sujo de sangue. Queres mais?
Não seria o lencinho de Desdêmona?
Abre-se como um leque, isto e aquilo.
Nem é preciso olhar com muito cuidado.
Está tudo ali, pronto pra ser visto, confirmado
pelas testemunhas invisíveis, pelos fantasmas
que rondam.
Se enche de ódio, mouro, sua Desdêmona amada te desdenha.
Faz a suspeita pingar em gotas, vermelhas, pútridas.
Ela leva flores para o vaso, flores que não são as tuas.
Mas ela leva para o vaso de Emilia, e diz que as flores a pertecem.
Doce beijo de Desdemônia.
Sente o ar te faltar, infiel?
Sente meus dedos enganados, apertando a sua carne tenra?
Dê seu último suspiro e se despeça como a quem os anjos vêm buscar.
***
Acorda Otelo suando. Foi tudo só um sonho. Só um sonho ruim.
Dorme tranquila, querida Desdêmona. Não foi hoje. Não hoje.
Assinar:
Postagens (Atom)