sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Poetry night 4

First of all, I would like to make an excuse public. In the previous post, there are two poems. The first "A banda" was written by Elton. The second "The devil is a preacher" was written by the esquizofrenético Amauri. It was not well explained and this could raise misreadings, so, I hope I have cast the ambiguity away.

In this fourth part, we have two more poems. One was brought by T. It's Carlos Drummond de Andrade's


Composição:

E é sempre a chuva
nos desertos sem guarda-chuva,
algo que corre, peixe dúbio,
e a cicatriz, percebe-se, no muro nu.

E são dissolvidos fragmentos de estuque
e o pó das demolições de tudo
que atravanca o disforme país futuro.
Débil, nas ramas, o socorro do imbu.
Pinga, no desarvorado campo nu.

Onde vivemos é água. O sono, úmido,
em urnas desoladas.já se entornam,
fungidas, na corrente, as coisas caras
que eram pura delícia, hoje carvão.

O mais é barro, sem esperança de escultura.


According to her, this poem is meaningful to understand that sometimes to destroy and to dissolve are ways to be able to constuct new things.


D., on the other hand, presented us a poem by Alvaro de Campos. It is the perfect way to explain how he feels about life and the worries he has.


Estou Cansado (Álvaro de Campos)
version in English

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

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